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AUDIENCE
Hugo Barata
16 de Maio a 1 de Junho 2014

«Architecture can't be looked at from the outside; architecture is going through a space. Architecture is not about space but about time. And unless you travel through it, it could be a picture in an architecture magazine (...) Architecture is the opposite of an image»
Vito Acconci, Vienna, 2012


As artes visuais e a arquitetura são simultâneas no seu caráter genésico, pressupõem um momento fundacional na relação do homem com a representação. A sucessão de imagens nas artes ditas plásticas e a prática espacial criam um espaço mental que resiste à pura compreensão cronológica do tempo. A questão, para mim, mais sedutora na arquitetura é a sua capacidade em criar este espaço, despoletando a possibilidade da atividade e movimento do corpo. O espaço arquitetural é físico e, como no cinema, propõe uma estrutura sequencial através do tempo. Com a citação de Acconci como gatilho, proponho uma reflexão a partir da simultaneidade destes pontos de vista TEMPO-ESPAÇO, escapando a formulações restritivas e apostando no desenho de um projeto no qual múltiplas dimensões da requalificação urbana são colocadas em diálogo numa nova forma, compacta e abstrata. Com o projeto AUDIENCE pretendo congestionar espaços, funções, programas, vazios, estruturas e os domínios público e privado, utilizando elementos díspares que se intersetam e embatem entre si. Como sabemos, a palavra kairos, de origem grega, pressupunha (como o projeto em si parece ter-se baseado) um momento contraditório ao tempo sequencial, e, a partir da retórica clássica, demonstrava a oportunidade certa de criar algo tirando partido de circunstâncias contingentes e em constante mudança. É aqui que este projeto se inclui.
Pela sua presença já de si marcada e quasi-escultórica, o Pavilhão KAIROS surge como elemento de força e circunscrição de uma zona limite da LX Factory. A minha opção com este projeto será a de devolver um carácter “inacabado” ou ainda em curso, socorrendo-me de materiais de construção reaproveitados e recolhidos propositadamente para o projeto. A ideia central seria a de ocultar a estrutura do KAIROS atual, envolvendo-a numa espécie de casca exterior alterando a perceção do mesmo e impossibilitando a referida ideia do tempo-espaço como porta de acesso à estrutura.
Hugo Barata

[ING]

The visual arts and architecture are simultaneous in their origin and they require a foundational moment in man's relationship with Representation. The succession of images in the so-called visual arts and spatial practice creates a mental space that resists the pure understanding of chronological time. The most fascinating question, for me, in architecture is its ability to create this space, triggering the possibility of activity and body movement. Architectural space is physical, and, as film and cinema, proposes a sequential structure through time. With a quote from Acconci as a trigger, I propose a reflection from the simultaneity of these views SPACE-TIME, escaping the restrictive formulations and focusing on the design of a project in which multiple dimensions of urban regeneration are placed in dialogue in a new way, compact and abstract. With the project AUDIENCE I would like to explore cluttering spaces, functions, programs, empty structures and public and private domains using disparate elements that intersect with each other. As we know, the word kairos, original from the Greeks presupposed (as the project itself is based) a moment contradictory to sequential time, and from classical rhetoric, showed the right opportunity to create something taking advantage of contingent circumstances and change. This is where this project is included.
By its presence that is already strong and 'quasi-sculptural’, the KAIROS Pavilion arises as a strength and a constituency boundary zone of the LX Factory. My option with this project will be to return a character "unfinished" or ongoing, rescuing building and reused materials collected specifically for this project. The central idea would be to hide the current structure of KAIROS, wrapping it in a kind of outer shell that will alter the perception of it and making it impossible for the above mentioned idea of time-space as an access door to the structure.

Hugo Barata